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Nosso trabalho

A Cia. Coexistir de Teatro, estabelecida em 2006, destaca-se no panorama artístico pela integração entre a linguagem teatral, a performance e o audiovisual como veículos para a pesquisa e encenação. A Companhia estrutura sua produção e investigação em torno de três eixos temáticos fundamentais, buscando uma intersecção entre a teatro,  psique, sociedade e processo histórico. Os projetos de pesquisa da Cia. Coexistir de Teatro funcionam como pilares conceituais para suas criações:

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01

Mitos em Cena: Perspectivas Arquetípicas e a Contemporaneidade da Imagem

Este projeto dedica-se à investigação cênica das estruturas mitológicas sob a égide da Psicologia Analítica. A pesquisa propõe a amplificação e a atualização de narrativas arcaicas, estabelecendo uma dialética entre o saber milenar e as urgências do tempo presente.

 

Através de uma hermenêutica que conecta diversas mitologias às matrizes da cultura brasileira, o estudo explora a sincronicidade entre os arquétipos e os fenômenos psicossociais vigentes. O foco recai sobre a imagem como fenômeno autônomo da psique, investigando como os símbolos ressoam e se reconfiguram na cena contemporânea, transcendendo a mera representação para se tornarem vetores de sentido e transformação cultural.

02

Territórios de Exceção: Saúde Mental, Gênero e Práxis Antimanicomial

Este eixo de pesquisa investiga as intersecções críticas entre a saúde mental, as relações de gênero e os dispositivos de poder que operam sobre o conceito de loucura. Fundamentada na ética da Luta Antimanicomial e nos princípios da Reforma Psiquiátrica, a investigação cênica propõe uma arqueologia das subjetividades institucionalizadas, tomando o corpo-território como o lugar de inscrição e resistência contra as violências do sistema manicomial.

A pesquisa articula-se como uma biopolítica da cena, onde o teatro deixa de ser mera representação para tornar-se um espaço de desconstrução de estigmas e de produção de novos modos de existência. Ao focalizar as potências feministas dentro do contexto da saúde mental, o trabalho busca dar visibilidade às trajetórias de mulheres cujas identidades foram historicamente silenciadas ou patologizadas.

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03

Vozes do Mundo: Dialética da Ação Coletiva e Intervenção Histórica

Este eixo de pesquisa caracteriza-se por uma natureza intrinsecamente política e social, operando na intersecção entre a estética da recepção e a função social da arte. Fundamentado nas premissas de Bertolt Brecht sobre o teatro dialético, o projeto Vozes atua como um catalisador das potências coletivas em um tempo histórico e psíquico de intensas transformações e fragmentações.

A pesquisa investiga formas de articulação que transcendem a representação passiva, buscando na "estética do fragmento" e na "imagem dialética" de Walter Benjamin os meios para que o acontecimento cênico se converta em uma interrupção crítica do fluxo histórico. Trata-se de uma práxis que visa a transmutação da subjetividade em ação coletiva deliberada, propondo que a voz artística não apenas narre a realidade, mas funcione como um dispositivo de transformação material e social. O projeto busca, assim, converter a experiência estética em uma ferramenta de intervenção concreta no mundo, reafirmando o compromisso do teatro com a emancipação e a construção de novos territórios de convivência.

Ações, Território e Público-Alvo

Territórios de Intervenção: Transversalidade e Práxis nos Espaços de Exceção

A atuação da Cia. Coexistir expande a pesquisa artística para além dos limites do edifício teatral, estabelecendo uma cartografia de diálogos diretos com os campos da saúde mental, da assistência social e da justiça. Essa trajetória de democratização da investigação estética e psíquica manifesta-se em ações laboratoriais e de escuta em territórios marcados pela vulnerabilidade e pelo confinamento.

Historicamente, a Companhia consolidou metodologias de inclusão e percepção sensorial em parcerias fundamentais, como na Fundação Dorina Nowill para Cegos, onde a imagem foi explorada em sua dimensão tátil e interna, e em centros de acolhimento (albergues), onde a arte atuou como ferramenta de reconstrução da subjetividade e resgate da dignidade em contextos de invisibilidade social.

 

Atualmente, essa práxis de intervenção se desdobra em frentes críticas:

  • Rede de Atenção Psicossocial (CAPS): Onde a arte é operada como um dispositivo clínico-político, fomentando a autonomia do sujeito e a integração comunitária através da expressão simbólica.

  • Sistema Prisional (Penitenciárias Femininas da Capital e do Butantã): Uma investigação profunda sobre o corpo-território em regime de privação de liberdade. Nestes espaços, a pesquisa conecta as temáticas do confinamento, da exclusão e das potências feministas, transformando o cárcere em um laboratório de reflexão sobre as intersecções entre o sofrimento mental, a marginalização física e a resistência do feminino.

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